por Joana Caldeira Martinho, Alice Barcellos e Patrícia Lima
O ciberjornalismo português e o seu futuro são um dos pontos em foco no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo.
Helder Bastos, docente da Universidade do Porto, apresentou a sua tese de doutoramento sobre “Ciberjornalistas em Portugal”, que se debruça sobre “o que fazem”, “o que ganham” os jornalistas online portugueses e também sobre “as suas motivações e desafios”.
As conclusões não são animadoras, uma vez que “o ciberjornalismo em Portugal está subdesenvolvido, não são aproveitadas todas as capacidades” da Internet, explica o professor. O problema está “na própria história do ciberjornalismo em Portugal, que nunca foi favorável ao investimento”, em “problemas de formação” e em não haver aposta da publicidade.
Mas o futuro não é necessariamente negro, prevê Helder Bastos. “Podemos esperar a médio/longo prazo que, à medida que as pessoas comecem a consumir mais informação online, os anunciantes corram atrás disso”. “É inevitável, embora possa demorar mais tempo, que o ciberjornalismo dê o salto”, acrescenta.
Ciberjornais portugueses e as suas apostas
Paulo Guerrinha, da Sapo Notícias, acredita que fazer jornalismo multimédia “não é fazer copy paste de fotografia e texto”, é “pensar em multimédia”. A Sapo Notícias é, originalmente, “um agregador de conteúdos”, explica, mas agora, com “uma redacção de oito ou nove pessoas”, aventurou-se nas “primeiras experiências de produção própria”. “São jornalistas multimédia que fazem tudo, levam a máquina fotográfica,a câmara de vídeo e o tripé, vão para a rua e fazem a reportagem completa”, explica.
O caso do PortugalDiário é diferente. Sendo que foi sempre um jornal online, a aposta está em “aproveitar as potencialidades todas do webjornalismo”, afirma Luísa Melo, do jornal online. Uma experiência nova foi “a cobertura da noite eleitoral nos EUA”, em tempo real e com uma sala de chat para discussão dos utilizadores. O próximo investimento é “aumentar a participação do cidadão”.
Manuel Molinos orgulha-se da edição online do JN, recentemente renovada e agora “mais apelativa e interactiva”. O editor confessa que esperava alguns “problemas com o manuseamento de software e com as plataformas de gestão”, mas, surpreendeu-se por estas dificuldades terem sido “superadas com facilidade”.
O Público é um dos jornais que tem edição online há mais tempo em Portugal, mas, mesmo assim, o editor Sérgio Gomes continua a encontrar desafios na convergência. “Existe vontade e as iniciativas avançam”, explica, mas, por outro lado, encontra sempre “estranheza e indiferença”. Dantes, a redacção online era como “uma ilha dentro do jornal, um gueto”, conta, realçando que chegou a ser confundida com uma “secção onde se reparavam computadores”. Hoje, algumas dificuldades já foram ultrapassadas, mas continua a existir “medo das novas tecnologias e do desconhecido”.
O que falta no ciberjornalismo português?
“Falta, sobretudo, mais qualidade”, afirma Manuel Molinos. E falta também “perceber quais os caminhos que cada site quer seguir”. Para o editor online do JN, “é preciso definir critérios, tentar não fazer tudo e fazer bem”.
Paulo Guerrinha aponta outra necessidade: “sensibilidade” por parte dos directores dos jornais. “Por vezes, os próprios directores não sabem lidar com um computador, quanto mais com a internet”, alerta o jornalista da Sapo Notícias. Mas Luísa Melo identifica um problema diferente, a falta de investimento das agências de publicidade. “Não é nos jornalistas que falta investir”, acrescenta.


Mark Deuze reconhece que muitas plataformas estão a emergir na web

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Três recém licenciados do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto juntaram-se, combinaram sonhos, definiram objectivos e arriscaram. Sempre tiveram em mente o jornalismo desportivo e descobriram na Internet um meio para capacitar o projecto com que sempre sonharam. 



